2 veís 1 articulações, tem como alvo propagar as mais diversas experimentações da arte contemporânea.
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domingo, 3 de maio de 2009

2 veís 1 entrevista Marcelo Gandini

Marcelo Gandini, 34 anos, capixaba, policial militar, artista plástico e professor, bate um papo descontraído com o 2 veís 1, descrevendo seu percurso nas artes, exposições e projetos.



Gandini, pra começar fale sobre seu trabalho, o processo de criação e como vê a arte contemporânea no ES hoje?
Meu trabalho basicamente se relaciona com meu dia a dia, não há a possibilidade de separar vida e arte, parece um clichê, mas vejo que algumas pessoas se afastam de si ao produzir seus trabalhos artísticos, isso é um grande equivoco.
Meu trabalho surge da observação de tudo que me cerca, percebo as coisas na medida em que as coisas me tocam sensivelmente e regurgito tudo isso a minha maneira desenhando, pintando, produzindo vídeo ou com algum projeto que consiga dar conta de uma intenção inicial e que muitas vezes foge ao controle e ganham status de “ARTE”.
Hoje o panorama das artes plásticas do ES se mostra muito promissor sob o ponto de vista da criação, crítica e público as coisas caminham em uma direção interessante com seminários, oficinas, exposições, salões mantendo um diálogo com pessoas fora da cena local, o que traz uma nova perspectiva. Por outro lado vejo que muitos artistas ainda não têm uma maior visibilidade seja pela falta de políticas públicas que viabilizem projetos, ou a espaços (galerias ou espaço público) para interação público/artista.


Como foi para você que tem uma linha de trabalho consistente e produtiva na fotografia, ser selecionado para o Salão Bienal do Mar 2009, que trouxe uma proposta de Intervenção Urbana?
Como disse, vivo observando, o desenho é uma forma de materializar visualmente uma intenção, mas muitas vezes o desenho ou a fotografia não dão conta e é preciso caminhar por caminhos desconhecidos perigosos e insuportavelmente instigantes sob o ponto de vista da experimentação e do autoconhecimento. Intervenção urbana é uma maneira de aguçar, atrair o olhar, propondo um diálogo consigo mesmo, a cidade e o espectador.


Comente sobre o conceito da intervenção “grandePEQUENAcatraia ” e a repercussão da obra na Bienal ?
Na verdade o objetivo ou a intenção inicial de um trabalho não pode ser apenas do autor e quando o público se depara com a proposta podem ocorrer inúmeras reações não previstas anteriormente e isso que é muito legal o trabalho ganha vida própria e autonomia. O que o torna pertinente não é só a percepção, do catraieiro diante de embarcações enormes, mas questões levantadas a partir de suas relações com a cidade questionamentos que levem um pensamento crítico sobre tudo isso.

Você acha que a escolha de Intervenções urbanas para a Bienal do mar foi bem aceita pelo público capixaba? Ela conseguiu inserir-se como uma interferência na cidade de vitória ou faltou algo mais?
Acho que sim, o público foi surpreendido por obras que tinham uma preocupação com a influência mútua. É claro que sempre são previstos alguns ruídos na comunicação entre o público, a cidade e a obra, em uma obra de caráter efêmero espera-se a força de um minuto ou de cem anos, mas gostaria de vê-las acontecendo antes de serem depredadas ou roubadas, por outro lado essa é a razão de uma intervenção, não ser ignorada. Acho que faltou uma melhor organização da Prefeitura de Vitória no sentido de preservar os trabalhos e até mesmo disponibilizar algumas pessoas que pudessem mediar a relação público/obra.

Marcelo, a bienal teve duas obras depedradas, o que você acha desse relação: público x obras/intervenções?
Faltou uma mediação, na verdade as pessoas não respeitam o que não conhecem e a resposta é bem clara, cerca de 85% da população brasileira nunca foi a uma galeria de arte “a ignorância é uma benção”, será?

E para finalizar, quais são os projetos, exposições para 2009. E fique a vontade para falar o que quiser.
Em 2009 tenho uma exposição marcada para o final do mês de abril e caminho sem ter certezas.

Ver exposição "Projéteis", postagem logo abaixo.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Exposição Projéteis

Dia 28 de abril, 20:00h, galeria Homero Massena e o 2 veís 1 esteve lá para prestigiar a envolvente exposição "Projéteis" do artista plástico e policial militar Marcelo Gandini.

"Projéteis" propõe, uma reflexão sobre a violência, que tem tomado conta das grandes cidades. E a cidade de Vitória faz parte dessas estatísticas, que no ano de 2008 foram assassinadas 142 pessoas por armas de fogo.

E é a partir desse contexto que Gandini utiliza 12 alvos, cada um representa um mês do ano, e em cada alvo ele deflagrou disparos correspondentes a quantas pessoas foram mortas naquele mês. Além dos alvos perfurados, foram dispostas lado a lado pequenas caixas de acrílico contendo projéteis deformados. E logo abaixo das caixas, um ao lado do outro o primeiro nome de cada vítima da violência, 8 delas não identificadas. São 142 cápsulas deformadas e 1 cápsula intacta, Gandini questiona para "e quem será a próxima vítima".

Ainda um aparelho de tv, faz parte da exposição, ele mostra Marcelo fazendo os disparos no alvo. Gandini que foi vítima da violência há 10 anos, inseriu na exposição uma radiografia que mostra uma bala alojada na perna direita.

INFORMAÇÕES:
"Exposição Projéteis"
Visitação: Segunda a Sexta, das 10h às 18h.
Onde: Galeria Homero Massena, nº 99, Cidade Alta - Vitória-ES.
Até: dia 29 de maio
Bate Papo com o artista: Dia 13 de maio, às 18h.
Tel: 3132-8395


Artista e radiografia

Projéteis e nomes

Vista da exposição e alvos

Visitante dialogando com os projéteis

Convite - frente

Convite - parte interna